cyberpunkdust

terno

e o destino que eu criei pra mim
que era pra sempre, pra durar
e eu não quis ver, e acreditar
quando eu mudei e aquilo não me serviu mais

letras de músicas não são algo que eu me identifique facilmente e raramente é algo que vai me fazer gostar de uma música por si só. a melodia sempre é mais importante e a letra se torna um bônus quando interessante, mas não é algo que me prende.

porém, há alguns anos uma música me marcou muito pois a letra se conectava completamente com o que eu vinha pensando constantemente: aceitar que sonhos que eu tinha talvez já não me servissem mais, e a se propor a construir novos sonhos que poderiam ser completamente diferentes de algo que eu passei décadas acreditando. bem nessa época eu passava por uma mudança de vida grande, me mudando pra uma cidade que eu nunca tinha planejado morar, mas que no momento parecia a opção certa (e foi) e aceitando que talvez alguns sonhos de vida antigos tivessem que ser mudados pra sempre (talvez não precisem).

ao longo dos tempo eu deixei de escutar o terno – meu gosto musical mudou drasticamente nos últimos dois anos – e esqueci dessa música (que por sinal é ótima, indiferente da letra). mas aí que essa semana, tim bernardes apareceu no tiny desk e eu lembrei de tudo o que eu não fiz. e aqui vai a razão pra esse post: novamente todas essas questões de vida retornaram e é algo que eu vejo pensando muito. só que dessa vez, ao contrário de anos atrás, minha vida está mais confusa do que nunca. toda a estabilidade e segurança que eu tinha se foi, e me encontro sem rumo há tanto tempo que é difícil ter clareza do que eu quero. volto pra sonhos antigos? continuo sonhos recentes? crio sonhos novos? enfim me peguei escutando essa música e, mais uma vez, me identificando com tudo o que ela fala.